José Manuel Fernandes alerta para “excesso” no Plano da Fundição de Oeiras
José Manuel Fernandes alerta para o excesso de construção previsto na Fundição de Oeiras e apela a uma decisão equilibrada que respeite a escala urbana e a qualidade de vida local.

No seu mais recente artigo de opinião publicado no Observador, José Manuel Fernandes deixa um alerta claro sobre o futuro da antiga Fundição de Oeiras: o plano em discussão poderá estar a propor construção a mais para o espaço disponível.
Escrevendo enquanto cidadão e com décadas de experiência em urbanismo, o autor centra a sua análise naquilo que considera ser o problema essencial do projecto: a densidade excessiva de construção e de ocupação humana prevista para a área.
Para tornar essa ideia mais concreta, propõe um exercício de comparação com uma zona conhecida de Nova Oeiras, a chamada “raqueta”. Partindo de uma área maior (cerca de 11 hectares) e considerada equilibrada em termos de densidade, imagina o que seria necessário fazer para atingir valores semelhantes aos previstos para a Fundição — cerca de 600 fogos em apenas 8 hectares.
O resultado, descrito pelo próprio, seria a duplicação de edifícios existentes: mais torres junto às actuais, novos blocos ocupando espaços hoje livres e a substituição de equipamentos por construção adicional. Um cenário que, segundo defende, implicaria perda de privacidade, redução de espaços abertos e degradação da qualidade de vida — funcionando como demonstração, “por absurdo”, do excesso de construção previsto.
A crítica estende-se aos impactos mais amplos do plano. Entre eles, destaca o aumento da pressão sobre a circulação automóvel, o estacionamento e a diminuição de espaços verdes e de lazer, com consequências para toda a área envolvente.
Ainda assim, José Manuel Fernandes não põe em causa a necessidade de requalificar os terrenos da antiga fundição. Pelo contrário, reconhece a importância de regenerar uma área há muito sem uso, mas defende que essa transformação deve ser feita com equilíbrio, ajustando o programa ao que o território consegue suportar.
No texto, há também espaço para uma reflexão sobre modelos urbanos. A comparação com cidades como Nova Iorque surge como contraponto, sublinhando que soluções de elevada densidade não podem ser transpostas automaticamente para o contexto português, marcado por outra escala urbana e outras expectativas de vivência do espaço.
O artigo assume ainda um tom de apelo político. Dirigindo-se ao presidente da Câmara Municipal de Oeiras, Isaltino Morais, considera que este processo representa uma “prova de fogo” para o município. A decisão que vier a ser tomada, defende, deverá colocar o interesse público no centro e evitar um cenário de sobrecarga urbana.
Em síntese, trata-se de uma leitura crítica que não rejeita o desenvolvimento da área da Fundição, mas insiste na necessidade de corrigir o que entende ser um desequilíbrio de base: construir sim, mas apenas na medida certa, garantindo qualidade urbana e respeito pelas comunidades existentes.




