Manhã de descoberta: passeio de observação de aves juntou moradores em Nova Oeiras
No domingo, 22 de março, dezenas de participantes juntaram-se em Nova Oeiras para um passeio matutino de observação de aves, numa iniciativa da AMNO com o apoio da SPEA, guiada por Ricardo Tomé.


No passado domingo, dia 22 de março, a Associação de Moradores de Nova Oeiras promoveu um passeio de observação de aves que reuniu moradores e curiosos numa manhã dedicada à descoberta da biodiversidade local.
Com ponto de encontro junto à porta do Centro Social Paroquial de Nova Oeiras, a iniciativa arrancou pelas 08:30, aproveitando as primeiras horas do dia — o momento ideal para observar aves em atividade.
Um safari no coração do bairro
Ao longo de um percurso alargado pela zona central de Nova Oeiras, o passeio decorreu quase como um pequeno safari urbano: sempre que alguém identificava uma ave, partilhava com o grupo e o guia ajudava todos a localizá-la.
Ricardo Tomé trouxe consigo guias de aves, que distribuiu pelos participantes, explicou como utilizá-los e disponibilizou também binóculos, ensinando a tirar o melhor partido desta ferramenta. Para observações mais desafiantes, recorreu a um telescópio, permitindo que todos pudessem espreitar espécies mais distantes com maior detalhe.
Espécies observadas
No total, foram identificadas 23 espécies ao longo da manhã:
Águia-d’asa redonda (Buteo buteo) – https://pt.wikipedia.org/wiki/Buteo_buteo
Pombo-doméstico (Columba livia) – https://pt.wikipedia.org/wiki/Columba_livia
Pombo-torcaz (Columba palumbus) – https://pt.wikipedia.org/wiki/Columba_palumbus
Rola-turca (Streptopelia decaocto) – https://pt.wikipedia.org/wiki/Streptopelia_decaocto
Periquito-de-colar (Psittacula krameri) – https://pt.wikipedia.org/wiki/Psittacula_krameri
Andorinha-das-chaminés (Hirundo rustica) – https://pt.wikipedia.org/wiki/Hirundo_rustica
Andorinha-dáurica (Cecropis daurica) – https://pt.wikipedia.org/wiki/Cecropis_daurica
Carriça (Troglodytes troglodytes) – https://pt.wikipedia.org/wiki/Troglodytes_troglodytes
Rabirruivo-preto (Phoenicurus ochruros) – https://pt.wikipedia.org/wiki/Phoenicurus_ochruros
Tordo-pinto (Turdus philomelos) – https://pt.wikipedia.org/wiki/Turdus_philomelos
Melro-preto (Turdus merula) – https://pt.wikipedia.org/wiki/Turdus_merula
Toutinegra-de-barrete (Sylvia atricapila) – https://pt.wikipedia.org/wiki/Sylvia_atricapilla
Toutinegra-dos-valados (Curruca melanocephala) – https://pt.wikipedia.org/wiki/Curruca_melanocephala
Felosinha (Phylloscopus collybita) – https://pt.wikipedia.org/wiki/Phylloscopus_collybita
Estrelinha-real (Regulus ignicapilla) – https://pt.wikipedia.org/wiki/Regulus_ignicapilla
Chapim-real (Parus major) – https://pt.wikipedia.org/wiki/Parus_major
Chapim-carvoeiro (Periparus ater) – https://pt.wikipedia.org/wiki/Periparus_ater
Chapim-azul (Cyanistes caeruleus) – https://pt.wikipedia.org/wiki/Cyanistes_caeruleus
Trepadeira (Certhia brachydactyla) – https://pt.wikipedia.org/wiki/Certhia_brachydactyla
Gaio (Garrulus glandarius) – https://pt.wikipedia.org/wiki/Garrulus_glandarius
Gralha-preta (Corvus corone) – https://pt.wikipedia.org/wiki/Corvus_corone
Estorninho-preto (Sturnus unicolor) – https://pt.wikipedia.org/wiki/Sturnus_unicolor
Pintassilgo (Carduelis carduelis) – https://pt.wikipedia.org/wiki/Carduelis_carduelis
Verdilhão (Chloris chloris) – https://pt.wikipedia.org/wiki/Chloris_chloris
Chamariz (Serinus serinus) – https://pt.wikipedia.org/wiki/Serinus_serinus
Aves vs. pássaros: qual é a diferença?
Durante a atividade, surgiu também uma distinção curiosa: embora no dia-a-dia se usem muitas vezes como sinónimos, “aves” e “pássaros” não significam exatamente o mesmo. “Aves” refere-se a toda a classe Aves, que inclui todas as espécies — desde águias a pinguins. Já “pássaros” é um termo mais restrito, normalmente usado para designar as aves de pequeno porte pertencentes à ordem dos passeriformes, como os chapins, os melros ou os pardais.
Ou seja, todos os pássaros são aves, mas nem todas as aves são pássaros — como é o caso da águia-d’asa redonda observada neste passeio.
Aprender a observar (e a ouvir)
Para além da observação, houve espaço para aprendizagem. Ao longo do percurso, foram partilhadas várias explicações sobre as características das aves — desde o formato do bico às diferenças entre machos e fêmeas — e até a distinção entre “aves” e “pássaros”.
Falou-se também sobre o canto das aves e as suas funções, bem como sobre a forma como organizam os seus territórios: em contextos de maior abundância de alimento, as áreas tendem a ser mais pequenas; quando os recursos escasseiam, o território expande-se.
Como resumiu Catarina Pereira, vice-presidente da AMNO, foi uma experiência rica em conhecimento e partilha, acessível a todos os participantes.
Uma publicação que continua actual
Este passeio recupera também um trabalho que a AMNO tem vindo a desenvolver há vários anos. No âmbito do projecto “Jardim Vivo”, foi editada uma brochura dedicada às aves de Nova Oeiras, que reúne informação sobre as espécies mais comuns no bairro e orientações para a sua observação.
Como se lê na própria publicação, a observação de aves é não só uma actividade lúdica, mas também uma forma de melhor compreender o meio envolvente e a qualidade ambiental de um território. A presença e diversidade de aves funcionam, aliás, como um importante indicador da saúde dos ecossistemas urbanos.
Este trabalho, desenvolvido com o apoio científico da SPEA, incluiu o levantamento de espécies, a instalação de caixas-ninho e acções de sensibilização junto da comunidade. Mais de uma década depois, iniciativas como este passeio mostram que esse esforço continua vivo — agora com novos olhares, mas com o mesmo objectivo: conhecer, valorizar e proteger a biodiversidade de Nova Oeiras.
Comunidade e natureza lado a lado
Esta iniciativa, organizada pela AMNO com o apoio da SPEA, reforça a importância de valorizar os espaços verdes e a biodiversidade em contexto urbano, promovendo simultaneamente o convívio entre vizinhos.
“Foi um momento de partilha de conhecimento único ”, partilhou André Novoa, refletindo o entusiasmo sentido por muitos dos participantes.
Mais do que observar aves, foi também um momento de ligação à natureza e à comunidade — dois pilares essenciais para o bem-estar em Nova Oeiras.



















