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Uma tarde de bunho em Nova Oeiras — o que fizemos, o que aprendemos e o que ficou por aprender

No dia 18 de Julho, o Centro Social Paroquial de Nova Oeiras recebeu Manuel Ferreira e um pequeno grupo de moradores para uma tarde de mãos na massa. A oficina de bunho que a AMNO organizou aconteceu, e saiu melhor do que esperávamos.

O que se passou na sala

O Centro Social cedeu uma sala com boa luz e mesas individuais, o que permitiu ao Manuel circular por todos os participantes com atenção. O bunho chegou já humedecido horas antes — detalhe essencial que a Catarina, uma das organizadoras, tratou de antecipar: a seco, o material não se trabalha; húmido, entrelaça-se apenas com as mãos, sem ferramentas especiais.

A sessão começou pela criação de uma base para proteger a mesa de tachos quentes: uma teia de 3+3 guias onde cada pessoa aprendeu a entrelaçar os caules e a fazer o remate. Feita a base, cada participante escolheu um molde — garrafa, frasco ou garrafão de vidro — para construir um segundo objecto a partir do mesmo princípio. No final, foi servido um lanche. A Catarina aproveitou a sessão para terminar o assento de uma cadeira que tinha iniciado com o Manuel em Santarém semanas antes.

Uma técnica que não se aprende numa tarde

O grupo tinha uma variedade de idades e perfis — estudantes, professoras de educação visual, uma artesã e ainda uma participante japonesa que, mesmo sem dominar o português, se saiu muito bem. Mas o encontro com a técnica deixou toda a gente com uma noção mais clara da sua exigência.

As professoras presentes tinham chegado com a ideia de levar o bunho para as suas aulas. Perceberam que não é assim tão simples: sem praticar regularmente, a técnica não se fixa. E há um problema prático antes disso — a matéria-prima. A apanha do bunho faz-se nos meses de verão, quando a planta ainda está verde e flexível, e o processo de secagem pode demorar até seis meses. Hoje em Portugal há apenas dois artesãos do bunho, e sem acesso à planta não há como continuar a praticar. Os participantes trocaram contacto com o Manuel também por isso.

Houve quem tivesse deixado uma amiga ou colega de fora porque o grupo estava completo. A técnica do bunho está em vias de desaparecer e conta hoje com raros artesãos a exercê-la — e é exactamente por isso que faz sentido trazer estas experiências para perto de casa, com grupos pequenos onde a atenção chega a todos.

Uma arte que já percorreu o mundo

O que se aprendeu naquela sala em Nova Oeiras é o mesmo saber que o Manuel levou à Bienal de Veneza, a Paris, a Bruxelas e à Expo de Osaka. A actividade desenvolveu-se no Ribatejo no início do século, onde os camponeses se dedicavam à produção de esteiras e tanhos (bancos) de bunho nas épocas de menos trabalho agrícola. Hoje, são raríssimos os que dominam esta arte — e Nova Oeiras foi, por umas horas, um dos lugares onde ela ainda se pratica.

Queremos repetir. Se ficou com vontade de participar numa próxima edição, escreva-nos para [email protected].

Podem seguir o trabalho do Manuel Ferreira no Instagram.

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Podem ser associados da AMNO as pessoas individuais residentes ou que sejam proprietárias de prédios ou frações em Nova Oeiras.

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