28 de fevereiro de 2026

Urban Sketchers desenham Nova Oeiras e descobrem a “transparência” do bairro

Cerca de 15 a 20 participantes juntaram-se hoje para desenhar Nova Oeiras. Entre vento, mudança de local e descobertas arquitectónicas, a manhã terminou com partilha de trabalhos e novas ideias para o futuro.

Autor das fotografias: Rogério Carmona

A sessão de Urban Sketching promovida pela AMNO em parceria com o núcleo nacional dos Urban Sketchers Portugal reuniu hoje, entre 15 a 20 participantes, para uma manhã dedicada ao desenho ao ar livre em Nova Oeiras.

O ponto de encontro foi, como previsto, em frente à Igreja de Santo António, pelas 10:00. No entanto, o vento e o frio levaram o grupo a procurar abrigo pouco depois. A sugestão foi simples: descer até ao Centro Comercial de Nova Oeiras, junto ao lago e à zona onde habitualmente actuam bandas. A mudança revelou-se acertada — mais protegido e com maior circulação de pessoas, o espaço ofereceu novas perspectivas e conforto para desenhar até perto das 13:00.

Entre participantes experientes e estreantes, o grupo mostrou a diversidade que caracteriza os Urban Sketchers: diferentes idades, origens e níveis de prática, unidos pelo mesmo gesto de observar e desenhar. Alguns já se conheciam de outras iniciativas no bairro; outros reencontraram-se ali ao fim de muitos anos, num ambiente que começou silencioso, concentrado, e que aos poucos se foi abrindo à conversa e à partilha.

Um dos aspectos que mais despertou curiosidade foi uma característica muito própria de Nova Oeiras: os pilotis dos blocos habitacionais, que criam uma sensação de transparência e permitem ver “através” da urbanização. Para vários participantes, foi uma descoberta arquitectónica inesperada. Também os azulejos de Rogério Ribeiro e histórias associadas ao bairro — como a antiga estalagem onde equipas estagiavam — enriqueceram o olhar de quem desenhava.

A manhã ficou ainda marcada por reencontros inesperados. Um dos participantes era colega de João Catarino, filho do professor Fernando Catarino, biólogo bem conhecido no bairro e que muito contribuiu para o conhecimento e valorização da fauna e flora de Nova Oeiras através de inúmeros eventos e visitas guiadas. A presença trouxe à conversa memórias dessas iniciativas e reforçou a ligação entre arte, natureza e comunidade.

Ao longo de três horas, os participantes espalharam-se entre o lago, os blocos e recantos mais abrigados. No final, como é tradição, os desenhos foram colocados no chão para uma fotografia colectiva — um momento de celebração e reconhecimento da diversidade de estilos e interpretações.

O relato da manhã, feito por Rogério Carmona, antigo membro da Direcção da AMNO, que acompanhou de perto a iniciativa e registou vários momentos em fotografia, permite perceber não só o que foi desenhado, mas também as conversas, as descobertas e os reencontros que marcaram o encontro.

Ficou ainda no ar a sugestão de repetir a experiência num dia de feira, integrando bancas, movimento e vida quotidiana nos cadernos de desenho. Uma ideia bem acolhida, que poderá trazer nova energia a futuras sessões.

Mais do que uma actividade artística, a manhã confirmou o poder do desenho como forma de encontro, redescoberta e valorização do património local. Nova Oeiras foi, mais uma vez, vista com outros olhos.